quarta-feira, 7 de maio de 2008

Quem é que não quer alguma coisa?

Quero rir de tudo e de todos,
Quero rir como dão risada os loucos.
Frenético e descompassado,
Completamente desorientado.
Do alto de minha nobre vaidade,
Gastar todo meu dinheiro na vadiagem.

Quero minha insanidade mental contestada,
Quero minha insanidade como uma piada.
Pensamentos sem nexo algum,
Uma lógica irracional considerada comum.
A inversão entre o certo e o errado,
Pra que o remorso não fique contrariado.

Quero viver sem meu coração,
Quero viver a realidade só com ilusão.
Assim como vivem os loucos,
Que dão risadas como poucos.
Talvez eu esteja louco,
Talvez só um pouco.

Quero a sinceridade de uma criança,
Quero a sinceridade como esperança.
Olho no olho sem maldade,
Sem encarar uma briga por uma banalidade.
Orientar uma bala ao destino,
Sem matar um filho.


Quero a ganância de ditadores,
Quero a ganância sem horrores.
Se isso é possível também mando flores aos meus inimigos,
E não procuro por mais vestígios.
Se auto punirão por seus crimes,
E os heróis não mais se sacrifiquem.

Quero, quero. Quero
Quem não quer?
O que queres é atingível?
Você é digno de querer?
Querer todo mundo quer,
Poucos loucos é quem realmente podem ter.

Por: Patriarca¹³

O cheiro que só eu sei

Em um lugar qualquer noite afora,
Sentimento de redenção aflora.
Olhando pro nada,
Sensação de asas preparadas,
Pronta para voar e se apenas tivesse asas voaria,
Se você estivesse comigo, voaria.
Pena que não tenho asas e estou contido,
Pena que não esta comigo.
Com o nada um anseio de liberdade,
Na mesma noite derrepente uma saudade.
De seus beijos que tive,
Dos momentos em que não me contive.
Da hora errada que me precipitei,
Desde então viajei.
No barulho da chuva,
No cheiro da uva.
No cheiro da erva que só eu sei.
E a toda hora você não sai da minha mente,
E a toda hora em que eu andava livremente.
Nos sonhos, na brisa,
Na terra, na lua que me avisa,
É você quem se aproxima.
Trazida por uma forte energia carregada de sentimento,
Flutuando junto ao vento.
Sobre as nuvens, sobre uma chuva fraca,
Já é de madrugada.
As gotas que caiam eu não ouço mais, por um instante só ouço você.
Desta vez não pode acontecer.
Mas como em todas às vezes, o mesmo vento que a trouxe faz você desaparecer.
E volto ouvir as gotas caindo,
E volto a lembrar que minhas asas não estão prontas ainda,
E que essas ilusões só me fazem lembrar o quanto você é linda.
O quanto me perturba,
O quanto me inspira,
Seus olhos, sua boca e o seu cheiro de menina.
No som da chuva,
No cheiro da uva.
No cheiro da erva que só eu sei.
Por: Patriarca¹³

sexta-feira, 2 de maio de 2008

Atração

Senhor; agradeço por mais um dia de vida para mim e para minha família,
Peço-te conhecimento e sabedoria,
Quero igualdade nas diferenças,
Respeito a todas as culturas e crenças,
Hoje ouço mais a voz do meu anjo pela boca dos outros,
Com calma busco a paz com todos,
Santifico teus atos divinos,
Sei que ando com o pecado e com seus inimigos.
Mas também busco ser uma boa pessoa,
Então me livra de todo mal que escoa,
Livra-me também de minha insana atração pelo que é errado,
Da minha insana atração pelo pecado.
Por: Patriarca ¹³

quinta-feira, 1 de maio de 2008

Platônico

Quanto tempo?
Tempo Nenhum!
Para mim uma eternidade.
Para voce um intervalo comum.

Se não faz tempo?
Porque tenho saudade?
Quando longe, a distancia é uma mera fatalidade.

Embora perto,
Somos simples amigos.
Quando sonho,
É sempre contigo.

Como estou?
Bem, eu respondo.
Contudo, se me conhecesse bem, saberia que meus sentimentos sempre escondo.

segunda-feira, 7 de abril de 2008

Meia Lua, Lua Inteira

Meia lua na calada da noite escura,
Em outro lugar meu espírito vai de encontro ao seu,
Toda noite é assim meu pensamento sempre vai ser teu,
Impedir é como esfaquear meu coração,
Esquecer é desligar a alma e viver a solidão,
Meu crime foi me apaixonar,
Agora não há nada que faça para minha vida melhorar,
Ruins são as idéias que surgem,
Dominam as boas, assim espero que me curem,
Tolo, ainda espero por você,
Sei que não espera por mim, mas o que posso fazer?
Dessa guerra nunca venci uma batalha,
Enfim, me fere como uma navalha,
Meu sangue escorre por ti,
Lagrimas escorrem por ti,
Inteira lua desenvolve minha agonia,
Até então não sabia o que sentia,
Ainda não sei,
Mas se sentir novamente eu não agüentarei,
Meia lua, lua inteira que surge aos céus,
Instiga tanto seus movimentos nos céus,
Mesmo que não se mova,
Ainda sim não quero que corra,
Para longe de mim, pois és minha única compania esta noite.

quarta-feira, 27 de fevereiro de 2008

Esquina do pecado

Na esquina do pecado me perco fácil
Confissão desagradável
Entorpece a cabeça toda tentação
Variedade passo a passo sem a menor noção
Descontrolado tromba sempre contra o vento
Alucinado mas desatento
A esquina do pecado desconhece o amor
Sobra prazer,desilusão e dor
Lugar que acomoda qualquer vagabundo
Que passe por ela em qualquer parte do mundo
Segundo critério de escolha
Não aceita que vive numa bolha
Fechar os olhos para o que acontece no muro das maravilhas
Pecar com eles bem abertos sem temer a ira
E sempre que possível dobrar a esquina

quinta-feira, 7 de fevereiro de 2008

Dane-se

Dane-se o sabor amargo do amor
Dane-se a doce ilusão da dor
Dane-se se eu nunca mais amar
Dane-se eu não ter um sonho pra sonhar
Dane-se tudo
Dane-se o mundo
Dane-se a liberdade de viver
Dane-se a capacidade de obter prazer
Dane-se se ela me ignora
Dane-se o tempo
Dane-se o vento
Dane-se a morte
Dane-se a sorte
Dane-se o mar
Dane-se o ar
Dane-se o azar
Dane-se respirar
Dane-se a rima perfeita
Dane-se a poesia mal feita
Dane-se ser racional
Dane-se ser emocional
Dane-se tudo
Dane-se o mundo

sexta-feira, 25 de janeiro de 2008

Cade as orações?

Sinto-me preso a você,
Preso a um sentimento que não consigo esconder.
Um dia já fui calmo,
Agora ando por ai tenso e preocupado.
Um aperto a cada respirar,
Com essa dor, coração pode parar.
Já parou só você não reparou,
Aqui estou! Onde estou?
Se um dia me acharem, para aquele que me ache, peço que liberte meu espírito,
Se um dia me procurarem, pelo menos olhem nas poesias, apenas por instinto.
Nelas a razão de meu desaparecimento,
Deitado; as paredes parecem estar em movimento.
No escuro, vejo vultos, ouço vozes,
Sozinho; psicótico e agora ouvindo vozes.
Cadê as orações?
Busco nelas as minhas reações.
Nada se mexe meu corpo está parado, em minha mente um furacão,
Pensamentos numa próxima ação.
Contudo, suas algemas não têm fechadura,
Aspiro me livrar e arrumar uma abertura.
Por que me agride se eu não fiz nada a ti?
Machuca mortalmente seus ataques contra mim.
por: Patriarca

terça-feira, 22 de janeiro de 2008

Em um quarto sem luz

Em um quarto sem luz,
Uma vela me conduz,
Nas palavras de um livro,
Uma única faz sentido, destino,
Quem disse que nós fazemos o nosso?
Se tudo que fazemos acaba bem próximo,
Do fim, e assim,
Feliz é quem riu de mim?
Pura aparência, a felicidade nunca está com quem provoca a desgraça,
Da mesma forma que veio passa,
Os caminhos são apenas dois, a escolha uma,
Não existe sorte, erro? Assuma,
Em suma, pra cada mal existe um bem maior,
O mais fácil nem sempre é o melhor,
As pedras na nossa frente,
Deixa a alma mais resistente,
Espere pelo pior,
Porem saiba que esta por vir é muito melhor,
O justo continua em pé,
Até onde vai a minha fé,
Eternidade ou infinito,
Talvez eu vire um mito,
Aquele que não crê,
Pode ser o único que nunca vai morre,
Em um quarto sem luz,
Um sentimento me conduz,
Abro os olhos para ver,
Com eles fechados é a mesma coisa que se vê.
por: Patriarca

segunda-feira, 14 de janeiro de 2008

Se Quiser, Se Puder

Uma gota d’ água não pode me molhar,
Uma chuva inteira não pode me parar.
O que corre em minhas veias é puro,
O que me protege é tão alto quanto um muro.
Cheio de força e paixão,
Arde como chama na imensidão.
Positiva força e vibração,
Contagia toda uma mistificação.
Notável alegria em meio a tanta tristeza,
Levanta a cabeça e seja.
Seja um novo dia,
Veja um novo amanhecer em sua vida.
Ame o quanto puder,
Ame o dia, à tarde e a noite se quiser.
Escute quanto puder,
Ouça o silencio, o barulho e aprenda se quiser.
Feche os olhos na luz se quiser,
Abra-os durante a escuridão se puder.
Se esconda da chuva mais uma vez,
Deixe uma gota te molhe outra vez.
Não seja um covarde,
Não fuja mais da verdade.
Eu; eu nunca paro enquanto cai o céu,
Não me escondo atrás de um véu.
Durante o choro dos anjos sobre nós,
Levanto as mãos e agradeço quase sem voz.
Agradeço o silencio e o barulho que escutei,
Pelo dia, à tarde e a noite que terei.
Reconheço o amor que não desfrutei,
A coragem de seguir por caminhos que não sei.
Louvo aos meus vícios,
Admiro meus sacrifícios.
Aprecio a inteligência real,
É certo que o ciclo é natural.
Vem a mim o meu futuro, quero o que conquistei,
Quero agora tudo o que não desfrutei.
Nunca paro enquanto céu se abre,
Nunca choro quando o coração se abre.
por: Patriarca

Salve Sentimento Nobre

Salve sentimento nobre, salve sentimento puro,
Qual o sentimento que vem da luz e não pode vir do escuro?
Talvez de um pobre solitário não venham somente murmúrios,
Nem dos espinhos dolorosos furos.
Que o amor não traga ilusão,
Nem que a paixão traga a decepção.
Que o ódio não traga rancor,
Nem que a raiva transforme tudo em horror.
Refletir não é sonhar,
Sonhar não é imaginar.
Imaginar que pode superar o destino é sonhar,
Audaciar, arriscar, nada pode ser mais penoso do que não tentar.
Não procure mentira nas minhas verdades, é muito mais fácil encontrar verdades por trás de mentiras, faça do que é certo uma surpresa,
Da surpresa faça uma certeza.
Ao invés do norte vá para o sul, se a escolha for errada tente novamente,
Se tudo parece errado, não se preocupe foi o destino que chegou a sua frente.
por: Patriarca

quarta-feira, 9 de janeiro de 2008

Alem

Alem dos rios, existem os mares,
Alem das folhas, existem as arvores,
Alem do animal, existe o homem,
Alem do cérebro, existe o coração,
Por trás, existe a emoção,
Que nos coloca em conflito com a razão.

Alem da dor, existe o amor,
Alem da paixão, existe a compaixão,
Alem do ódio, existe o perdão,
Que nos coloca em conflito com o orgulho.

Alem da vida, existe a morte,
Alem da sorte, existe a fé,
Alem da ressurreição, existe a eternidade,
Alem da paciência, existe a consciência,
Alem da rima, exista a poesia,
Que nos coloca em conflito com a sabedoria.
por: Patriarca

quinta-feira, 3 de janeiro de 2008

Vícios

Mais uma noite alimentando vícios, procurando por pequenos vestígios,
Correndo atrás do que restou entre nós, em meio a sussurros e gemidos ouvir sua voz,
Sua pele nua e macia, enquanto eu te olhava, você sorria,
Seus seios cabiam perfeitamente em minhas mãos, sua boca percorria meu corpo e por um instante esquecia minha solidão,
Esquecia-me de tudo e apenas lembrava-me de deitar-me sobre ti; Como pude abandonar-te por ai?
Em bares e botequins procuro por vestígios, a cada dose alimento ainda mais os meus vícios,
Seria melhor não te encontrar esta noite, nego o medo, somente estou bêbado demais para acariciá-la novamente, contudo, se no próximo crepúsculo eu sair para buscar sinais igualmente,
Sustentar a devassidão de meus pecados, manter uma postura correta para quem sempre esta errado,
Prefiro ter seu cheiro como uma recordação, para não viciar uma breve noção,
Teu estimulo sobre mim lança longe o meu pensar, provar-te de sua boca e seu beijo apreciar,
Só em memória, por que sei que não vou mais te encontrar, apesar do meu vicio em querer te achar.

quarta-feira, 2 de janeiro de 2008

Por hora apenas decido viver

O que a teoria sobre a realidade?
Diz que a ostentação é maior do que a necessidade?
Já é tarde, chove fraco em alguns cantos da cidade,
Estou acordado há algumas horas,
Contemplo a vida nesse agora,
Tento pensar no amanhã,
Contudo prefiro saborear hoje uma maçã,
Não quero pensar no que pode acontecer,
Por hora apenas decido viver,
Neste jogo de azar,
Com a sorte contra, acendo uma vela pra rezar,
Água benta para benzer e uma prece para os orixás,
O destino joga sujo e faz de tudo pra ganhar,
Atenciosamente percebo meu papel em meio à humanidade,
Vale mais o que é certo do que meia verdade,
Realidade impera suprema,
Acima de tudo encara os problemas,
As conspirações podem fazer cair uma grande arvore porem se a raiz for forte,
Tudo pode de alguma forma escapar da morte.

terça-feira, 25 de dezembro de 2007

Meu medo do escuro

Aqui o escuro não me da medo, É como se eu pudesse ver através de seu segredo;
Observar sua essência fria, E fugir das sombras que a luz cria;
No escuro meus medos não me assustam, As crises não me perturbam;
O distúrbio emocional é tranqüilizado, E a agitação psicomotora brevemente controlado;
Meu medo do escuro ficou para trás e já posso enxergar por entre caminhos;
Antes escondidos, mas agora tão nítidos que meus olhos recusam as lagrimas, atribuídas as dores causadas por uma luta de esgrima;
O escuro altera a percepção de qualquer pessoa, a minha já se nega a perturbar-se por qualquer coisa,
Na penumbra da noite qualquer barulho espanta o mais covarde nem da cama se levanta,
Audaz, bravo e intrépido eu sigo atrás do som tenebroso, por um rumo obscuro e assombroso;
Aqui o escuro não me da medo, Agora sei de seus segredos,
Sei que o ruído assustador, é o meu coração pulsando sua dor.
por: Patriarca

domingo, 23 de dezembro de 2007

Ao seu lado tudo é tão perfeito

Ao seu lado tudo é tão perfeito,
O dia é lindo, e a noite de um único jeito,
Esse seu jeito, que me causa confusão,
Na mente as palavras se perdem, e tudo que é dito é sem razão,
Nunca me lembro das conversas entre a gente,
Lembro-me apenas de como me envolvia em poesia ardente,
O poeta em que me transformei,
É herança do sentimento que a ti dediquei,
Você guarda meu coração,
Revela então o segredo por trás do seu não,
A angustia de não saber o que sente por mim,
É maior por não te ver e viver a esperar acontecer algo assim,
Ao seu lado tudo tão perfeito,
Eu sou uma pessoa melhor por causa do seu jeito,
Ao seu lado o mundo não existe,
Só nós dois separado por uma linha que insiste,
Em nos manter longe um do outro,
Mesmo que o mais proximo estamos um do outro.

quinta-feira, 20 de dezembro de 2007

Diabo de mim


O cheiro de incenso no ar purifica a alma de um pecador,
A fragrância não o exime de seus vícios, nem tira a sua dor,
A maldade de seus erros por hora é esquecida,
Sua sede por orgias são traduzidas,
Como o caos de um culposo deslize contra seus princípios,
Preceitos sobre a existência descritos como ridículos,
Uma falta de senso sobre a perversão de viver perigosamente,
Imaculado o homem que vive ingenuamente,
Que não é atraído pelas tentações do prazer carnal,
Distancia-se de uma corrupção banal,
Diabo de mim que sou dependente de um frenesi insensato,
Psicótico e obsessivo, um desequilibrado lunático,
Delirando sobre um autoflagelo,
Que me liberte de meu elo,
Da parte que me liga com Deus,
Desprendo-me de qualquer vinculo, com o pai e com os filhos seus,
Também peço dispensa de um possível pacto com o coisa-ruim,
Prefiro continuar só, estou bem assim,
A verdade é que não quero ser julgado,
Meus atos não devem padecer entre o certo e o errado,
Diabo de mim que sou um libertino luxurioso,
Saboreio o pecado com um ar libidinoso,
Obra do livre arbítrio concebido pelo senhor,
Essa é minha defesa contra o julgador.


por: Patriarca

Do pó ressurgi um guerreiro

Num sábado qualquer de minha vida, saio de casa cedo para receber uma divida de um antigo emprego. Parti de trem; durante o caminho refletia sobre a semana ruim que tive que não vem ao caso (deixo para outro conto), um verdadeiro pandemônio de emoções se passava em minha mente.
Cheguei à estação em que devo descer, o coração aperta causando um suspiro de ansiedade, estava nervoso, como já disse foi uma semana ruim, a ansiedade e o nervosismo se dão porque não sei como serei recebido, já fazia mais de uma semana que havia pedido demissão. Após uma breve caminhada e três andares depois chego a minha antiga rotina, uma breve nostalgia toma conta, mas tão breve quanto veio se vai, me dirigi até a recepção que estava vazia, logo escuto o meu nome vindo de uma voz doce e suave, me viro e vejo quem era, a recepcionista que se encontrava em uma sala antes da recepção por onde passei direto sem dar muita atenção para o que acontecia nela, segui até o bebedouro, tomeis dois copos com água, afinal foram três andares, alem disso aproveitei para me acalmar, volto à recepção que permanece vazia, o dono do estabelecimento adentra a sala, trocamos algumas palavras, que não me recordo muito bem, porem sei que foram mais do que suficientes para acender uma pequena fagulha de transtorno que mais tarde se tornaria algo que fizesse deste sábado qualquer o pior dia de minha vida.
Eu já vinha de uma semana de angustia e estresse, não precisava de motivo para explodir, por dentro eu já tinha deflagrado.
Assim que saiu da recepção, não vi mais o grande empresário, segundos depois entra a recepcionista, nos cumprimentamos, ela toma seu lugar na recepção, poucas palavras, eu estava abatido, não sei se ela percebeu também nem sei se deveria, peço a moça que pegue alguns pertences meus que ficaram no local, ela sai por um instante e retorna rapidamente com os objetos em mãos, assim que me entrega, interrogo sobre meu dinheiro, pergunto se vou receber, ela afirma que sim, pergunto se receberia naquele instante, ela, sem jeito, me diz que não, daquele momento em diante o pandemônio que antes era apenas um momento de reflexão volta a dominar minha mente, sai cego, sei somente que tratei mal a recepcionista que somente trabalhava, transtornado fui embora do prédio.
Desnorteado, sentei em um bar famoso na região, pensei em algo para beber, não pedi, preferi tentar me acalmar, liguei para a recepcionista e pedi desculpas pela grosseria que acabara de cometer, a garota me desculpou e disse que me entendia. Sei que não me entendia, como pode me entender? Ela viu minhas crises de choro? Minha tristeza profunda? Ela sentiu minha angustia? Ela sabe das minhas dividas?Alias como poderia me entender se eu não me entendo.
Durante vinte anos eu achava que tinha tudo, eu realmente acreditava que era feliz, uma família que me ama e que nunca me deixou ou deixaria faltar nada materialmente ou emocionalmente, é por esta família que eu sou e é por esta família que eu tenho, conhecidos eu tenho muitos, contudo são poucos os que posso chamar de amigos, conto nos dedos de uma mão, esses eu posso chamar de irmãos e com certeza fazem parte da minha família. Eu não sei o que é amor entre homem e mulher, nunca havia encontrado alguém que me fizesse sentir algo alem de atração física, ou que apenas pudessem me inspirar em minhas poesias, quem dirá uma que me fizesse os dois, nunca se quer olhei para uma mulher e me imaginei namorando, noivando, casando e tendo filhos com a mesma, longe de eu tornar-me uma pessoa responsável nesse sentido, quem me conhece sabe disso. Sou um libertino, sou da noite como poderia me prender a alguém fantasiando envelhecer junto com essa pessoa, e o pior só com uma pessoa.
Pois bem, naquele bar, me coloquei mais uma vez a refletir sobre o que eu queria pra minha vida, quando me fiz essa pergunta, bateu um desespero tão grande que as horas passarão que nem me dei conta. Daí em diante o que eu fiz foi dominado por meus malditos pensamentos.
Volto a ligar para a recepcionista, e sem dar tempo a ela pedi que apenas me ouvisse:
- Oi, é o Rafael, não fala nada tah?
- Rafa, aonde você esta? – recepcionista (é o que me lembro dela dizer)
- Não fala nada, apenas escute. Quero dizer que você é o amor da minha vida, eu quero você junto de mim para sempre, sei que eu nunca terei você ao meu lado nessa vida, é por isso que hoje eu vou resolvê-la. Só gostaria que você soubesse disso.
Desligo o celular decido a dar um fim nos meus problemas, peço uma dose de conhaque, a primeira desce amarga, nas duas próximas já não podia mais sentir o álcool.
Liguei para minha casa, queria falar com meu pai, mas quem acaba atendendo é minha mãe, também não me lembro do teor da conversa, mas sei que a deixei chorando mais uma vez do outro lado da linha.
Na quinta dose e depois de ter deixado mais pessoas preocupadas em relação ao meu paradeiro, o celular toca, o numero é de minha casa, temo que seja novamente minha mãe, mesmo assim resolvo atender, um segundo de silencio e meu pai fala meu nome, digo onde estou e que quero que ela me encontre. Não tenho certeza do tempo, mas acho que ele chegou rápido, caminhou até mim, pude olhar nos seus olhos sofridos que eu lhe causava mais uma decepção, e pela primeira vez eu me sentia envergonhado, como me tornei uma pessoa ruim, quando isso aconteceu?
Ele insistiu para que fossemos embora, eu insisti para ficarmos, doses, muitas doses de conhaque depois, o desespero ainda não havia passado, lembro que fomos a outro bar, ele tomou algumas cervejas comigo, completamente embriagado, ainda me levou a um restaurante, possivelmente era hora de almoço, não tive vontade de comer e também não tinha mais vontade de viver.
Voltamos para casa de taxi, eu não tinha condições de voltar de trem, ao chegar a casa me deparo com minha mãe aos prantos no sofá, não conseguiu olhar nos seus olhos, tentei dar à costa, mas ela me segurou com um abraço por trás, aquele abraço só me fez sentir pior, eu não queria deixá-la daquela maneira, muito mais do que uma questão de fazer coisas erradas era não medir suas conseqüências. Livrei-me do abraço e fui para o banheiro, me despi, abri o chuveiro e me deixei entrar debaixo da água gelada, desabei a chorar, chorava descontroladamente, só parei quando a insanidade começa a controlar meu corpo, saio do chuveiro deixando-o ligado para que ninguém escutasse o que estava pra fazer, alucinadamente procuro algo, encontro uma gilete, olho para o espelho esperando por uma interrupção, a primeira tentativa é contra o pescoço, passo a gilete de fora a fora, e só consigo um arranhão, o corte não sai tão profundo, ainda no pescoço, uma segunda tentativa, o corte foi profundo, mas não chego a passar pela veia.
Um sentimento de frustração, agora imperava na minha mente, não sei por que não tentei uma terceira vez, medo de dar certo talvez, volto paro o chuveiro, lavei o sangue que escorre pela minha garganta.
Ao sair do banheiro fui direto para o meu quarto, não queria ver ninguém, ainda tonto me vesti e cai na cama, enquanto as paredes giravam, eu retornava aos poucos a lucidez, no turbilhão de idéias que passa pela minha cabeça, decido que aquele dia, aquele sábado 20 de dezembro de 2007, foi o dia em que eu morri.
Morri para renascer.
Renascer uma pessoa melhor do que eu fui e melhor do que poderia ter sido. De hoje em diante com um sonho, com objetivos, com a força e frieza de sempre. Vou viver da melhor maneira possível.
Percebi que o verdadeiro fraco é aquele que se deixa dominar por seus próprios pensamentos. Por um instante eu fui fraco e isso quase acabo comigo, fui tão fraco que cheguei a dizer eu te amo para uma recepcionista.
Eu me perdi, eu estava sozinho, sozinho eu me achei e é sozinho que vou seguir meu rumo. Assim é a vida de um guerreiro, sozinho, controlando seus pensamentos e emoções sem se abalar com doces ilusões. A vida é real e eu gosto da realidade que ela proporciona. Gosto de ver a falsidade nos olhos de quem me odeia e seu cinismo de tentar esconder a demagogia de suas palavras imorais no mundo fantasioso em que vivem forçosamente mostrando os dentes, achando que eu os comprarei como cavalos pra andarem sob mim.
Não sou desse mundo e nem ando ao seu lado, estou pelo menos a dez passos a sua frente. Não adianta correr atrás.
Do pó ressurgi um guerreiro. Eu ressurgi, e agora quero ver quem me segura!
por: Patriarca

quarta-feira, 19 de dezembro de 2007

Onde estou?

Sinto-me preso a você, preso a um sentimento que não consigo esquecer,
Antes eu era calmo, agora ando tenso e preocupado,
Um aperto a cada respirar, desse jeito o coração pode parar,
Já parou só você não reparou,
Aqui estou, onde estou?
Se um dia me acharem, para quem me achar, peço que me liberte,
Mas se não procurarem, pelo menos olhem as poesias,
La a razão de meu desaparecimento,
Me encontro deitado, mas as paredes parecem estar em movimento,
No escuro vejo vultos, escuto vozes,
Sozinho, maníaco e agora ouvindo vozes,
Onde estão as orações?
Tento, mas não encontro possíveis reações,
Nada se mexe, meu corto esta parado,
Meu raciocínio um turbilhão, imaginando a próxima ação,
Suas algemas não têm fechadura,
Quero me livrar de minha própria loucura,
Capturar sua mão aberta em meu rosto desnorteado,
Um homem que paga sendo humilhado,
Ainda tenho vontade de sumir, de ficar sozinho,
Contudo é para preencher um papel com meu novo caminho,
Sei que nunca estou só concretamente,
É legitimo este pensar em minha mente,
É solido também a barreira que me impede de acreditar,
É como um espelho em que se pode ver, mas não se pode passar.
Onde estou? Ache-me se puder,
Vou estar na sua cabeça no lugar onde estiver,
Procure-me nos seus ideais e nas suas fantasias,
Imagine um ambiente de sua afazia,
Onde você costuma deslumbrar sua própria utopia,
Uma quimera irreal que você despeja na sua pia,
Talvez me ache por ali, num cantinho sujo,
Celebrando o encontro com mais um lugar imundo.
por: Patriarca

terça-feira, 18 de dezembro de 2007

Me diga o que ve

Olha pra mim e me diga o que vê,
Ilusão ou realidade, aos seus olhos quem sou pra você?
Indiferença a olhares que diferencia,
Parecer alegre o tempo todo pode ser difícil,
Ouvir julgamento precipitados é que é difícil,
Ouvir tentativas de ofensa é ridículo,
Procurar crises onde não existe é andar em círculos,
Mistificar os sentimentos esta fora de planos futuros,
Porem revelá-los é que jamais será ocorrido,
Fortalecer-me é o que fará do meu amanhecer melhor,
Entrar em estado de libertação até que me sinta melhor,
Voltar a ser impulsivo, maluco e palhaço,
Isso é realmente o que eu sou e o que eu gosto.
Agora olha pra mim e me diga o que vê,
A mentira ou a verdade, o insano ou a lucidez que há em viver.
por: Patriarca